Outro estudo apresentado no Congresso da WFNR: Poderia a dor no ombro em pacientes com lesão medular estar correlacionada a alterações na coluna cervical?
- 23 de mai. de 2025
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A dor no ombro é uma das queixas mais recorrentes entre pessoas com lesão medular. Estudos apontam que até 69% desses pacientes convivem com esse tipo de desconforto, o que pode comprometer significativamente a mobilidade, a independência e a qualidade de vida. Frequentemente, a dor é atribuída a fatores biomecânicos como o uso de cadeira de rodas, transferências, alívio de pressão e atividades realizadas com os braços acima da cabeça. No entanto, é possível que esse sintoma tenha origens mais profundas.
Essa hipótese motivou a realização de um estudo que tive a oportunidade de apresentar no Congresso Latino-Americano da Federação Mundial de Neurorreabilitação (WFNR), realizado entre 7 e 9 de maio de 2025, em Brasília – DF. O trabalho explorou a correlação entre dor e coluna cervical em pessoas com lesão medular, utilizando o Método McKenzie (MDT) como abordagem diagnóstica e terapêutica.
O estudo, que contou a participação do meu colega Jefferson Dornelles, consistiu em uma análise retrospectiva de prontuários de pacientes atendidos entre 2017 e 2018 no Hospital Sarah Centro - Brasília, todos pacientes com queixas de dor no ombro e lesão medular. As avaliações foram realizadas com base nos princípios do MDT, e a intensidade da dor foi mensurada por meio da Escala Visual Analógica (EVA).
Os resultados revelaram um dado significativo: 79,3% dos casos apresentavam comprometimento cervical como principal origem da dor. Apenas 13,8% apresentaram alteração exclusiva do ombro, e 6,9% apresentaram um quadro misto. Houve uma redução expressiva da dor após o tratamento, com queda da média de 6 para 0 na EVA, demonstrando a eficácia no tratamento.
O Método McKenzie permitiu identificar a origem real dos sintomas e oferecer intervenções direcionadas, seguras e eficazes. Isso foi possível sem a necessidade de alterações no ambiente, afastamento de atividades rotineiras ou uso de recursos invasivos.
Esse estudo reforça a importância de uma avaliação detalhada e individualizada, considerando a possibilidade de dor referida e interdependência entre diferentes regiões do corpo.
Este foi o segundo dos três trabalhos apresentados no Congresso WFNR. Em breve, compartilho o último estudo, também voltado à aplicação clínica do MDT em pacientes com lesão medular, com foco em dor crônica e restauração funcional.





